Catedral - 19 de setembro de 2010 – 6º Dia da Novena

Tema: O Ministério da Caridade e a Missão

Meus irmãos, minhas irmãs,

Como é bom estarmos reunidos, em torno do altar, para juntos celebrarmos esta santa Missa no contexto do novenário em preparação à festa litúrgica de São Miguel Arcanjo. Neste ano, a novena tem como tema “Família, Missão e Formação: nossas prioridades na Evangelização”, com a presença de vários bispos que generosamente acolheram o convite e estão nos ajudando a refletir sobre a importância de assumirmos as nossas prioridades pastorais a partir do tríplice múnus da Palavra, da Liturgia e da Caridade.

Dando prosseguimento às reflexões do tema proposto, hoje, sexto dia da novena, somos convidados a refletir sobre a relação entre o ministério da Caridade e a Missão, segunda prioridade de nosso 5º plano diocesano de pastoral.

A Caridade é o coração do Evangelho e o dinamismo da missão da Igreja que por sua própria natureza é missionária. As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e o Documento de Aparecida nos afirmam que “O serviço de caridade da Igreja entre os pobres é um campo de atividade que caracteriza de maneira decisiva a vida cristã, o estilo eclesial e a programação pastoral. O centro da vida cristã é a caridade, o amor que vem de Deus mesmo.

Deus é amor, e quem permanece no amor, permanece em Deus e Deus nele, nos afirma São João em sua primeira carta. O amor é o distintivo do cristão, é o nosso ofício, é nossa maneira de ser e de viver: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros nos diz Jesus (Jo 13,35).

O 5º plano diocesano de pastoral, na página 27 afirma: O ministério da Caridade é que dá veracidade ao múnus da Palavra e da Liturgia. Ele leva até as últimas conseqüências o mistério da encarnação: “Cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mt 25,40).

Jesus se identifica com o pobre e faz dele a medida da fidelidade ao mandamento do amor. Quem diz que ama a Deus e não ama o seu próximo é mentiroso, afirma o apóstolo São João.

Citando a Encíclica Novo Millennio Ineunte, do saudoso Papa João Paulo II, nosso plano de pastoral continua afirmando que toda ação ministerial do serviço deve ser caracterizada pela caridade pastoral, através de uma acolhida que promova e estimule a pessoa humana. Partindo da comunhão dentro da Igreja, a caridade abre-se, por sua natureza, ao serviço universal, frutificando no compromisso de um amor ativo e concreto a cada ser humano.

Isso significa que a vivência eclesial deve levar, necessariamente, à vivência da caridade no seio da comunidade e no meio da sociedade, compartilhando as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias, sobretudo dos pobres e dos que sofrem.

Em sua carta encíclica A Caridade e a Verdade, o Papa Bento XVI afirma: Além do crescimento material, o desenvolvimento deve incluir o espiritual, porque a pessoa humana é um ser uno, composto de alma e corpo, nascido do amor criador de Deus e destinado a viver eternamente. O humanismo que exclui Deus é um humanismo desumano.”

Há uma caridade que supera toda ajuda financeira e toda promoção humana, é a evangelização que deve ajudar as pessoas a ter um encontro pessoal com Jesus Cristo.

Incorporados a Cristo, o missionário do Pai, recebemos a Sua missão como dom e tarefa. Incorporados à Igreja pelo sacramento do batismo, todos recebemos a mesma vocação de levar Jesus aos irmãos.

A nossa assembléia diocesana realizada em outubro de 2009 escolheu como uma das prioridades pastorais a Missão, fruto da  preocupação e sensibilidade missionária vinda de nossas comunidades paroquiais que têm uma longa e bonita história de vocação missionária realizada com grupos de rua, círculos bíblicos e grupos missionários.

O 5º plano diocesano de pastoral escolheu o lema “Ide e fazei com que todos os povos se tornem meus discípulos” (Mt 28,19)  assim coloca como ponto central de nossa missão evangelizadora na atuação de todas as pastorais, movimentos, associações, grupos de rua, círculos bíblicos e outros grupos,  levar as pessoas a fazerem uma adesão pessoal a Jesus Cristo tornando-as seus discípulos.   

Aproxima-se o mês de outubro, o mês missionário. Aproveitemos este tempo para intensificar os grupos de rua e os círculos bíblicos. Penso que em cada rua de nossa Diocese deva ter duas ou três famílias católicas praticantes. Daí o desafio: que em cada rua se forme um grupo que se reúne para rezar, para ler e refletir a Palavra de Deus.

Há muitas pessoas batizadas que estão afastados da Igreja, há muitas famílias que passam por dificuldades e grandes sofrimentos. Vamos organizar em nossa paróquia as visitas missionárias às famílias. O site da Diocese e o jornal a Voz Diocesana de outubro apresentam um roteiro para as visitas missionárias. Vamos estudá-lo, melhorá-lo, adaptá-lo à realidade de nossa rua e de nosso bairro.

O evangelho proclamado nessa celebração eucarística lembra a importância de não nos omitirmos na nossa responsabilidade e que necessitamos administrar bem os dons e os talentos que recebemos de Deus.

Para sermos bons administradores dos talentos e dos dons que recebemos de Deus, dos quais um dia deveremos prestar contas, precisamos viver com entusiasmo e alegria nossa vocação de filhos e filhas de Deus e colocarmos tanto empenho no anúncio de Jesus Cristo quanto os filhos das trevas colocam para atingirem seus objetivos materiais a honra, o poder e o dinheiro.

Meus irmãos e minhas irmãs, preparando a festa do nosso padroeiro diocesano São Miguel Arcanjo, nesta catedral a ele dedicada, peçamos a Deus que possamos ser fiéis à fé que recebemos em nosso batismo sendo verdadeiros discípulos missionários de Jesus Cristo e que com simplicidade e convicção anunciemos e testemunhemos a sua presença no meio de nós. 

Que a Virgem Maria, a Senhora da Penha, a Senhora do SIM, nos abençoe e nos ajude na fidelidade aos nossos compromissos de cristãos e de discípulos missionários. Que São Miguel Arcanjo, padroeiro de nossa Diocese, nos proteja e defenda contra todo o mal. Amém.

                                       Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo! 

                                                 Dom Manuel Parrado Carral