- Basílica da Penha – 20/11/2011 -

 

Meus irmãos e minhas irmãs,

Nesta data em que a Igreja celebra a solenidade litúrgica de Cristo Rei e o dia dedicado aos leigos e leigas, é muito significativo realizarmos o segundo encontro de ministros e ministras não ordenados da Diocese de São Miguel Paulista.

Os leigos e leigas exercem importantes ministérios na vida da Igreja e, muitos, assumem generosamente a vocação matrimonial que Deus lhes deu e acolhem o grande desafio de serem pedras vivas da Igreja, trabalhadores e trabalhadoras do reino que Cristo Rei veio implantar entre nós.

Queremos celebrar, neste encontro, a presença de Deus em nossas vidas, presença que nos alimenta na caminhada em busca da construção do Reino. Deus nos alimenta e nos fortalece na missão de ministros não ordenados, de maneira especial pelaPalavrae pelaEucaristia.

A Palavra há pouco anunciada lembra-nos que a plenitude de Cristo, que invade a comunidade e o universo, exclui todo e qualquer privilégio. O Apóstolo Paulo, escrevendo aos colossenses, afirma que somos amados por Deus, somos seus eleitos e, por isso, devemos revestirmo-nos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência, suportando-nos uns aos outros e perdoando-nos mutuamente.

O apóstolo continua afirmando que a vida em Cristo deve fazer com que todos se respeitem mutuamente, inclusive os maridos às esposas, os pais aos filhos: “esposas, sede solícitas para com vossos maridos, como convém, no Senhor, maridos, amai vossas esposas e não sejais grosseiros com elas. Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois, isso é bom e correto no Senhor. Pais, não intimidem vossos filhos, para que eles não desanimem.”E o refrão do salmo 127, que acabamos de rezar nos afirma: “Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!”

O evangelho proclamado nessa liturgia da palavra nos apresenta Jesus afirmando a seus discípulos que quem escuta as suas palavras e as põe em prática é como a pessoa prudente que constrói sua casa sobre a rocha. Podem vir as chuvas, os ventos, as enxurradas e as tempestades e a casa permanece firme. Assim também, a pessoa de fé permanece firme e serena diante da dificuldade, do sofrimento, da violência e da contradição do mundo atual, com os olhos fixos em Jesus Cristo: Caminho, Verdade e Vida.

No último dia 11 de outubro, pelaCarta ApostólicaPorta Fidei, o Papa Bento XVI proclamou um ano da Fé que terá início a 11 de outubro de 2012, nos 50 anos da abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II e terminará na solenidade de Cristo Rei, a 24 de novembro de 2013.O Ano da Fé,afirma o Papa,éconvite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo. A fé, que atua pelo amor, torna-se um critério de entendimento e de ação, que muda toda a vida do homem.

A fé torna-nos fecundos, porque alarga o coração com a esperança e permite oferecer um testemunho que é capaz de gerar vida nova; de fato, abre o coração e a mente dos ouvintes para acolherem o convite do Senhor e aderir à sua Palavra a fim de se tornarem seus discípulos,afirma o Papa.

A leiturae a reflexão da Palavra de Deus alimenta e fortalece a nossa fé. Na Carta Pós SinodalVerbum Domini,o Papa Bento XVI diz que nunca devemos esquecer que na base de toda a espiritualidade cristã autêntica e viva, está a Palavra de Deus anunciada, acolhida, celebrada e meditada na Igreja. Portanto, caros ministros e ministras, vamos empenhar-nos no estudo e na reflexão da Palavra de Deus para sermos seus fiéis anunciadores.

Somos mais de quatro mil ministros e ministras não ordenados na Diocese de São Miguel Paulista. Se cada um de nós anunciar com vida e entusiasmo a obra redentora de Jesus Cristo, haverá entre nós uma grande iluminação para tantos irmãos e irmãs que ainda vivem nas trevas do erro e da ignorância. Caros ministros e ministras, sejamos zelosos em nos alimentarmos da Palavra de Deus para bem vivermos nosso ministério.

A Eucaristia é parte integrante da espiritualidade dos ministros não ordenados. “A Igreja vive da Eucaristia. Esta verdade não exprime apenas uma experiência diária de fé, mas contém, em síntese, o próprio núcleo do mistério da Igreja. É com alegria que ela experimenta de diversas maneiras, a realização incessante desta promessa: Eu estarei sempre convosco até o fim do mundo”. Assim, o Beato João Paulo II, começou a sua Carta EncíclicaEcclesia de Eucharistiaonde apresenta a Eucaristia em sua relação com a Igreja.

De fato é na Eucaristia que a Igreja como instituição e cada um dos fiéis encontra “a razão da sua existência, a fonte inesgotável da sua santidade, a força da unidade e o vínculo da comunhão, o vigor da sua vitalidade evangélica, o princípio da sua ação evangelizadora, a fonte da caridade e o impulso da promoção humana, a antecipação da sua glória no banquete eterno das Núpcias do Cordeiro”.

Alimentados pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, deixemos que ressoe em nossos corações o convite e o mandato de Jesus:“Ide e fazei com que todos ospovos se tornem meus discípulos...”Em outubro de 2012 haverá em Roma o Sínodo dos Bispos, convocada pelo Papa Bento XVI, e que tem como tema “A nova evangelização”.O Papa afirma:A renovação da Igreja realiza-se também por meio do testemunho prestado pela vida dos fiéis: de fato, os cristãos são chamados a fazer brilhar, com sua própria vida no mundo, a Palavra de verdade que o Senhor Jesus nos deixou.

Para atender a esse apelo do Papa, não nos esqueçamos que a missão exige o compromisso com a pastoral de conjunto, cujo princípio é a espiritualidade de comunhão e a participação. Nenhum ministério, nenhuma pastoral evangeliza sozinha, todas precisam de uma decisão missionária, que deve animar toda ação pastoral de nossa Igreja Diocesana em seu conjunto, como nos lembra o nosso 5º Plano de Pastoral.

Estamos na casa de nossa mãe, a Senhora da Penha que está nos visitando em sua peregrinação pelas três Regiões Episcopais de nossa Diocese. Daqui, do seu Santuário Basílica, ela vela por seus filhos e filhas e acompanha com amor de mãe todos os nossos esforços para anunciar Jesus Cristo de casa em casa.

Como ministros e ministras devemos ajudar as nossas comunidades a se entusiasmarem com a possibilidade de levar ao mundo o anúncio da presença de Jesus Cristo. Queremos ajudar os nossos padres, principalmente os que estiverem em maiores dificuldades, a cumprirem bem sua missão, pois, é por seu ministério que nós temos a presença eucarística de Jesus. Vamos animá-los e entusiasmá-los no seu serviço sacerdotal.

Que São Miguel Arcanjo nos proteja hoje e sempre e não nos deixe desanimar em nossa missão de discípulos missionários e que o Beato José de Anchieta nos abençoe e abençoe as nossas famílias.

 

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Dom Manuel Parrado Carral