1º de maio - Catedral de São Miguel Arcanjo

1. Estamos vivendo as alegrias do tempo litúrgico da páscoa. O tempo pascal é como um grande domingo. Neste segundo domingo de Páscoa, nos encontramos com o Cristo ressuscitado, na fração do Pão Eucarístico. Nesta celebração queremos colocar no altar do Senhor três grandes motivações:  o dia do trabalho e a festa de São José Operário, o domingo da Divina Misericórdia e a ação de graças pela beatificação do Papa João Paulo II.

2.  Hoje, primeiro de maio, é o dia do trabalho e festejamos São José Operário. Essa festa foi instituída pelo Papa Pio XII, declarando São José padroeiro dos trabalhadores, para dar um sentido cristão à festa do dia do trabalho.

3.  São José é o homem humilde, justo e trabalhador. Assumiu viver a missão de chefe de uma família. Com seu trabalho ganhou o pão de cada dia garantindo a subsistência de Maria e de se filho adotivo, Jesus Cristo. São José é um modelo de santidade para todos nós. Celebrar a sua festa é fonte de inspiração para a Igreja e para a sociedade quando consideramos o trabalho como um direito a ser garantido a todos para que possam viver com dignidade.

4.  Sob a proteção de São José Operário, vamos rezar por todos os trabalhadores e trabalhadoras do nosso imenso Brasil. Vamos rezar por todos os desempregados e por todos os jovens que estão em busca de seu primeiro emprego.

5. Hoje, segundo domingo de páscoa, celebramos a Divina Misericórdia, festa instituída pelo beato João Paulo II. Não existe para o homem outra fonte de esperança que não seja a misericórdia de Deus. Por isso, diante das dificuldades e desafios que a vida nos apresenta digamos sempre: Jesus, eu confio em Vós. Vamos repetir com fé: Jesus, eu confio em Vós.

6.  Essa manifestação de confiança no amor misericordioso e onipotente de Deus torna-se mais  necessária hoje mais do que em outros tempos. Estamos cercados pelas mais variadas manifestações do mal. Quando nos sentimos desorientados, sofridos, inquietos e cheios de dúvidas,  devemos recorrer à Divina Misericórdia, fonte segura de esperança e de salvação. É no Senhor que coloco a minha confiança.

7. Vamos confiar o Brasil, a nossa diocese, as nossas famílias e cada um de nós à Divina Misericórdia. Supliquemos para que a mensagem do Amor Misericordioso de Deus chegue a todos os homens e mulheres e, principalmente, aos jovens enchendo seus corações de esperança e de amor. Juntos, vamos repetir a antífona do salmo responsorial da liturgia de hoje: Daí graças ao Senhor/ porque Ele é bom/ eterna é a sua misericórdia.

8.  Nessa celebração, queremos manifestar nossa alegria e nossa gratidão a Deus pela beatificação do Papa João Paulo II que aconteceu hoje pela manhã, em Roma, em solene celebração presidida pelo Papa Bento XVI, na qual estivemos representados pelo nosso bispo emérito, Dom Fernando Legal.

9.  Foi  muito significativo o Papa Bento XVI ter celebrado essa beatificação no dia dedicado ao Trabalho, pois, conhecemos o empenho do então Papa João Paulo II na defesa da dignidade do trabalhador.

10.  Há 22 anos, o Papa João Paulo II criava a nossa Diocese de São Miguel Paulista. Foi ele que me nomeou bispo em janeiro de 2001. Ele amava muito a nossa terra e visitou o Brasil três vezes. Aqui ele foi acolhido e aclamado com carinho pelo povo que alegremente cantava “a bênção João de Deus”. Recordemos esses momentos emocionantes cantando:

11.  A benção, João de Deus... nosso povo te abraça... Tu vens em missão de paz... sê bem vindo... e abençoa este povo que te ama! A benção, João de Deus (bis).

12.  Deus nos chamou à santidade. Essas palavras do apóstolo São Paulo aos Tessalonicenses foram assumidas com tenacidade pelo Beato João Paulo II. Em sua primeira mensagem à Igreja, como Papa, ele recomendava: “Abri as portas a Cristo Jesus!”Em muitas outras ocasiões ele insistia: “Não tenhais medo! Lançai as redes para águas mais profundas!

13.  Mais do que por palavras, sua vida foi um  testemunho constante e um convite a sermos totalmente de Deus. Em sua vida sobressai a fé inabalável, o amor à Eucaristia e a devoção à Maria. Viveu intensamente a Palavra de Deus e com ardor missionário a anunciou a todos os povos, mesmo aos mais distantes. Embora enfermo, vencia as dores e o cansaço para ir aos que precisavam de uma palavra de ânimo, de esperança e de conforto. Foi a exemplo do apóstolo São Paulo um Papa missionário.

14.  Com serenidade, totalmente confiante em Deus, ele suportou as incompreensões, as oposições e as debilidades da idade avançada. Amou intensamente os jovens criando as jornadas mundiais da juventude. A todos cativou pelo seu afeto e pela sua sensibilidade humana. Tinha para com todos gestos de carinho e especial deferência. Por isso, vamos louvar e agradecer a Deus por sua beatificação.

15.  Quando da beatificação de Madre Paulina, João Paulo II afirmou: “O Brasil precisa de Santos”! Confiemos á sua intercessão a santificação da Igreja em nossa Diocese e a concretização de um milagre que possa levar à canonização do beato José de Anchieta. Como ele, tenhamos um amor filial à Maria Santíssima que em nossa diocese veneramos sob o título de Nossa Senhora da Penha. Ela nos ensinará como viver em Deus e para Deus e como ser discípulos missionários de Jesus Cristo. Beato João Paulo II, rogai por nós.

 Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

 Dom Manuel Parrado Carral