Catedral de São Miguel Arcanjo – 8 de julho de 2012

A liturgia da Palavra deste 14º domingo do tempo comum convida-nos a refletir sobre uma aparente contradição, digo aparente, porque a contradição: “Quando sou fraco, então é que sou forte”. É um convite a fazer o elogio da fraqueza, pois, encontramos figuras bíblicas que testemunham a experiência da fraqueza e do fracasso, como sendo sinal de força e de grandeza.

Na primeira leitura encontramos o profeta Ezequiel: o Espírito o faz levantar e acompanhar o povo no exílio. É enviado para o meio de um povo rebelde, de cabeça dura e de coração obstinado. É chamado a levar o amor de Deus, onde ele quase não existe mais. É enviado a pregar tendo pouca chance de ser ouvido.

O importante não é ter ouvintes. O mais importante é ser fiel à Palavra: “Quer te escutem, quer não, ficarão sabendo que houve entre eles um profeta”. É preciso que saibam que Deus não os abandonou. Ele é o Deus fiel, por isso está sempre presente.

Na segunda leitura, São Paulo escrevendo à comunidade de Corinto afirma que há nele um “espinho na carne”,  uma dificuldade invencível, um defeito incorrigível, um problema de saúde, uma questão de temperamento. Não sabemos bem do que se tratava, mas, era algo que lhe tirava qualquer espécie de vanglória e o tornava mais humilde e  ancorado na graça de Deus: “Quando sou fraco, deixo cair as minhas armas, confio-me a Deus e é Deus que entra em ação, por mim”.

O evangelho de Marcos apresenta-nos Jesus que, acompanhado por seus discípulos, vai a Nazaré, sua terra natal e, no dia de sábado, começa a pregar na Sinagoga. Seus ouvintes ficam admirados e perguntam: de onde lhe vem esta sabedoria? Não é ele o filho do carpinteiro? Pois, Jesus não correspondia ao modelo que eles tinham feito do Messias.

Jesus estava admirado com a falta de fé daquela gente. Gente de fé habitual e praticante, que ia à sinagoga e sabia a doutrina de cor e salteado e estava em dia com as obrigações da lei. Mas, gente que não tinha olhos para ver Deus, quando Jesus passava, vestido com o traje de todos os dias.

Jesus não estranha o comportamento do povo, afinal,“Um profeta só não é estimado em sua terra, entre os parentes e em sua casa”. Devemos nos perguntar hoje, como anda a nossa fé no mistério deste Deus vivo? Um Deus que se revela em Nazaré simples e humilde? Diante de uma presença tão pessoal e misteriosa, o homem de ontem e o de hoje, e o homem de todos os tempos sempre terá a liberdade de acolher e seguir, recusar e desistir. Acreditar ou descrer.

Na Carta Apostólica, “A Porta da Fé” na qual o Papa Bento XVI  convoca o Ano da Fé a ter início no próximo dia  11 de outubro, afirma:“Enquanto, no passado, era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje já não é assim em grandes setores da sociedade devido a uma profunda crise de fé.”

O papa continua afirmando: “Não podemos aceitar que o sal se torne insípido e a luz fique escondida (cf.Mt5,13-16). Também o homem contemporâneo pode sentir de novo a necessidade de ir como a samaritana ao poço, para ouvir Jesus, que convida a crer nele e a beber na sua fonte, donde jorra água viva” (cf. Jo 4,14).

Com essa preocupação o Papa Bento XVI convocou para o próximo mês de outubro uma Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos que tem como tema: “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”. Esta será uma ocasião propícia para levar toda a Igreja a uma reflexão e redescoberta da fé.

Meus irmãos e minhas irmãs, nessa semana vocês tiveram a oportunidade de vivenciar o Cerco de Jericó. Vocês tiveram a ocasião de abandonar todas as certezas e seguranças humanas e a repetir com a própria vida: O Senhor é o meu Pastor, nada me pode faltar. Ele restaura as minhas forças, guia-me pelo caminho certo, por amor de seu nome. Se eu tiver de andar por vales perigosos, não temerei mal nenhum, porque Ele está comigo. A felicidade e a graça vão me acompanhar por todos os dias de minha vida.

Jesus é a porta: Se alguém entrar por mim, afirma Jesus, será salvo e vai morar para sempre na casa do Senhor: Vocês, são o meu povo, e eu sou o vosso Deus.

Repitam comigo: Jesus/ seja o meu Pastor,/ abre os meus ouvidos/ para que eu possa ouvir sempre a Tua voz./ Livra-me dos lobos,/ dos mercenários e dos salteadores./ Jesus      dirija a minha vida conforme Tua Vontade./  este é o meu desejo: Segui-Lo  para sempre.

Confiemos ao coração materno de Maria, a quem veneramos sob o título de Nossa Senhora da Penha, todas as nossas intenções e os bons propósitos que dizemos nesta semana. Que ela interceda junto a seu Filho por todos nós e pelas nossas famílias. Que nosso padroeiro diocesano, São Miguel Arcanjo, continue  nos protegendo  e defendendo de todo o mal. Amém.

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Dom Manuel Parrado Carral