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1. Origem da devoção a Nossa Senhora da Penha de França

A devoção à Mãe de Deus sob o título de Nossa Senhora da Penha de França data do século XV. Pe. Colunga em seu livro “Nuestra Señora de Peña de Francia” narra que o peregrino francês Simão Vela, descobriu em 19 de maio de 1434 em Penha de França, monte situado na serra do mesmo nome, na Província de Salamanca, na Espanha, a imagem de Nossa Senhora.

Segundo o autor diz a tradição popular que Simão Vela, recolhido num convento franciscano na aldeia de Puy, em seus êxtases ouvia uma voz que lhe dizia: “Simão, vela e não durmas”. Simão partiu e depois de cinco anos descobriu a imagem que fora deixada por soldados franceses que a tinham escondido naquele monte quando combatiam contra os mulçumanos.

Conforme a mesma tradição popular o primeiro milagre aconteceu no local onde fora encontrada: um grupo de fugitivos perseguidos por bandoleiros, depois de terem invocado Nossa Senhora da Penha viram-se livres de seus inimigos. Esse acontecimento tornou-se conhecido e atravessando a fronteira chegou até Guimarães, cidade da região do Minho, onde a imagem passou a ser venerada. O próprio rei de Portugal, Dom Sebastião, alcançando a cura de uma grave doença por intercessão de Nossa Senhora da Penha, em sinal de gratidão e devoção mandou erguer uma igreja em seu louvor, na cidade de Lisboa.

2. A devoção a Nossa Senhora da Penha de França em São Paulo

Diz a tradição popular que um devoto francês viajando de São Paulo ao Rio levou consigo uma imagem da Virgem Maria, que trouxera de sua pátria. Dormindo uma noite na colina, ao raiar do dia partiu com toda a sua bagagem. Qual não foi o seu espanto, quando à noite deu pela falta da sua imagem. Voltando imediatamente a procura do seu tesouro encontrou-a no alto da colina, onde pernoitara na véspera. Prosseguiu sua viagem e, ao cair da tarde, entristeceu-se ao notar a ausência da imagem. Retornando, verificou que a imagem se encontrava no mesmo lugar da véspera. Homem de profunda fé reconheceu neste fato que a Virgem escolhera aquele lugar para seu trono e sua morada e construiu-lhe uma pequena ermida no local escolhido pela Mãe de Deus. A notícia correu e o povo aos poucos começou a venerar a imagem miraculosa.

Entre 1620 e 1668, “ fase das sesmarias precursoras”, Mateus Nunes de Siqueira e, seu irmão, Pe. Jacinto Nunes de Siqueira adquiriram as terras do futuro povoado, onde por volta de 1668, foi construída a primeira capela, dedicada a Nossa Senhora da Penha.

De 1668 a 1687, “fase da fundação e da consolidação”, o Pe. Jacinto Nunes de Siqueira com grande zelo e devoção administrou a sua capela reconstruindo-a em 1673 registrando fielmente as ocorrências que chegaram aos nossos dias como preciosas relíquias de devoção a Nossa Senhora da Penha. Em 1682 foi construída por escravos uma igreja maior que depois de algumas reformas originou a atual igreja que hoje abriga o Santuário Eucarístico Nossa Senhora da Penha, como se pode ler na inscrição que existe em uma pedra colocada no frontal do santuário. O Pe. Jacinto Nunes deixa por testamento, um patrimônio de valor para a Capela: terras, gado, capital em dinheiro e escravos.

De 1687 a 1796 “fase de integração administrativa”, a devoção a Nossa Senhora da Penha desenvolveu-se de forma extraordinária. Desde o mais humilde tropeiro até capitães e governadores reúnem-se na pequena Igreja buscando proteção e alento. Nessa fase, também, é adotado o costume de nas epidemias e períodos de secas prolongadas a imagem de Nossa Senhora da Penha ser levada à Igreja da Sé, onde eram feitas orações especiais. A partir daí a história da Igreja da Penha de França e a cidade de São Paulo se entrelaçam.