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A vocação cristã só pode nascer dentro de uma experiência de Deus que é Amor

A Igreja no Brasil, em sua prática pastoral e vida de piedade, tem alguns meses temáticos como: maio, mês mariano; junho mês do Sagrado Coração de Jesus; setembro mês da Bíblia. Em 1973 o mês de agosto foi estabelecido como mês vocacional enfocando principalmente a vocação sacerdotal e religiosa. Com os anos, a palavra Vocação passou a ter um significado mais amplo e, quando da realização do primeiro Congresso Vocacional promovido pela CNBB no ano de 1999, Vocação era entendida como um chamado de Deus dirigido a todos e a cada um. “De fato, a vocação cristã é, antes de mais nada, uma chamada de amor que atrai e reenvia para além de si mesmo, descentraliza a pessoa, provoca um êxodo permanente do eu fechado em si mesmo para a sua libertação no dom de si e, precisamente dessa forma, para o reencontro de si mesmo, mais ainda para a descoberta de Deus”, afirma o Papa Francisco em sua mensagem pelo Dia Mundial de oração pelas vocações deste ano, citando Bento XVI em Deus caritas est.

De início vamos esclarecer um equívoco: às vezes confundimos vocação com profissão. Vocação é um estado de vida, vivenciado nas 24 horas de cada dia, na gratuidade em vista da construção do Reino de Deus. À profissão se dedica algumas horas do dia em vista de uma remuneração para o sustento. No entanto, é preciso reconhecer que muitos fazem de sua profissão um verdadeiro sacerdócio, uma vocação de entrega total ao serviço do irmão.

A primeira vocação, o primeiro chamado é à Vida. Independente das circunstâncias de nosso nascimento, Deus quis que você, que eu existíssemos – Ele nos chamou à vida. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus e como acreditamos no Deus-Trino, nossa fé nos remete à vivência comunitária no amor: Deus é Amor e aquele que vive no amor vive em Deus e Deus vive nele (1 Jo 4,16).

A vocação fundamental de filhos e filhas de Deus pode ser vivenciada de várias maneiras, é o que chamamos de vocações específicas: o leigo no mundo, a vida matrimonial, a vida religiosa, o sacerdote diocesano. Os leigos, solteiros ou casados são chamados a serem sinais de Cristo e do Evangelho: são homens e mulheres que pautando suas atitudes nos ensinamentos da Igreja, atuando à luz da fé e da Palavra de Deus, impulsionados pelo Amor, levam o espírito do evangelho a todas as realidades do mundo onde os religiosos e os padres não podem chegar.

Vocação à vida matrimonial onde um homem e uma mulher são chamados a construir uma comunidade de vida e amor perpetuando no mundo a obra criadora de Deus: “sêde fecundos e multiplicai-vos (Gn 1,28). Fundamentado sobre a rocha firme que é Jesus Cristo, o matrimônio cristão é indissolúvel, porque a aliança de Deus conosco é eterna.

A vocação religiosa e do sacerdote diocesano é um chamado especial de Deus para viverem a radicalidade do compromisso batismal em vista do serviço ao Povo de Deus. São pessoas que se sentem chamadas a se unirem mais intimamente ao Cristo e a sua missão evangelizadora: são chamados a serem no meio do povo de Deus a presença de Jesus servidor: “Eu vim para servir”(Mc 10,45).

Neste mês vocacional, quero recomendar a todos que coloquem em prática a primeira prioridade de nosso 6º plano diocesano de pastoral: a visitação missionária. A vocação missionária é um chamado de Deus que está presente em todas as vocações específicas: todo cristão deve ser missionário seja ele leigo solteiro ou casado, religioso, religiosa ou sacerdote. Toda a Igreja é missionária. O Evangelho precisa ser anunciado hoje com o mesmo empenho e fervor do início do cristianismo pois, a sociedade que só visa o consumo, a competição, a idolatria do poder e do dinheiro a todo custo precisa ser despertada para os valores evangélicos de justiça, de fraternidade, de solidariedade, de perdão e reconciliação. Estamos no Ano da Paz: Evangelizar é promover a Paz!

Que a Virgem Maria, celebrada neste mês na solenidade de sua Assunção nos proteja, abençoe e nos acompanhe em nossas visitas missionárias. A todos e todas deixo minha bênção e os votos de todo bem e toda graça.

Dom Manuel Parrado Carral