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Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo
Basílica de Nossa Senhora da Penha - 22 de novembro de 2015

Meus irmãos e minhas irmãs, a celebração de hoje, 34º domingo do tempo comum, encerra o ano litúrgico celebrando Jesus Cristo Rei do Universo. Somos convidados a contemplar a realeza e a divindade de Jesus Cristo: Ele é o Rei da paz, da justiça, do amor, da misericórdia e da santidade.

Nesta solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo celebramos, também, o dia dedicado aos leigos e às leigas de nossa Igreja. Pelo batismo somos chamados a implantar o Reinado de Deus no mundo por nosso testemunho de vida, pela nossa fidelidade aos ensinamentos do Evangelho, sendo fermento, sal e luz do mundo como nos disse Jesus.

A liturgia da Palavra na primeira leitura, retirada do livro de Daniel, comunica uma palavra de esperança no meio de todo o sofrimento. A profecia, escrita aproximadamente 170 anos antes do nascimento de Jesus, quer infundir coragem e esperança na alma do povo. Nós como os israelitas, constatamos que o reinado dos opressores se sucede, perpetuando o domínio dos poderosos deste mundo sobre os pobres. E se pergunta: O mundo continuará sujeito às forças da morte? A 1ª leitura de hoje nos responde: o reino do mal não terá uma duração eterna. E o salmo 92 afirma: “Deus é rei e se vestiu de majestade, glória ao Senhor, pelos séculos dos séculos”.

O evangelho, segundo São João, que foi proclamado, nos apresenta um diálogo entre Jesus e Pilatos. Perguntado por Pilatos, Jesus responde que seu reino não é deste mundo. Diante da insistência de Pilatos Jesus afirma: “Tu o dizes: eu sou rei. Para isto nasci e para isto vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Quem é da verdade, escuta a minha voz”.

Isto significa que Jesus veio instaurar um reino diferente chamado Reino dos céus. O Filho de Deus feito homem é Senhor do céu e da terra. Nele todas as coisas foram criadas e para Ele tudo existe. Todas as coisas devem ser acolhidas e reconhecidas como dom de Deus. Só Ele é o Senhor!

Jesus não veio fazer concorrência com os reis e governantes deste mundo. Jesus está acima de todos os poderes e todos lhe devem estar submissos, queiram ou não. A Ele foi dado todo o poder, toda a majestade e toda a glória, e todos os povos, nações e línguas devem servi-Lo. Seu poder é um poder eterno, que nunca passará, afirma a profecia de Daniel. Este reino tem início neste mundo e permanecerá para sempre. O Apocalípse nos convida a dizer: “A Ele pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém”.

Como disse no início, celebramos hoje o dia dos fiéis leigos o que torna mais significativo este 6º encontro diocesano dos ministros não ordenados. Os cristãos leigos têm uma missão especial na Igreja e na sociedade. Pelo Batismo, integrados na Família de Deus, receberam essa vocação que devem viver intensamente a serviço do Reino de Deus.

Na Igreja, os leigos são chamados a colaborar na ação pastoral e evangelizadora através da catequese, dos diversos ministérios não ordenados, como agentes nas diversas pastorais, movimentos e associações, no serviço aos pobres e aos doentes.

A missão mais importante dos leigos, entretanto, está no mundo. Eles são chamados a realizar sua missão dentro das realidades nas quais se encontram no seu dia-a-dia: na família, no trabalho, na escola, no mundo da política, nos movimentos populares e nos meios de comunicação. É no mundo que, como fermento na massa, sal da terra e luz do mundo, são chamados e enviados a testemunhar, pela palavra e pela vida, a mensagem de Jesus Cristo.

Caros ministros e ministras, vocês devem ser para todos os fiéis batizados um testemunho de como viver nossa vocação de batizados no mundo. Quando os batizados assumem de fato sua missão específica no mundo podemos sonhar com uma nova ordem social impregnada dos valores evangélicos da justiça, da honestidade, da solidariedade e da verdade.

Que cada ministro e ministra aqui presente se conscientize desta sua missão e dê a sua contribuição para a evangelização e o crescimento cristão do mundo. Como fruto desse nosso encontro proponho que cada um e cada uma se empenhe para fazer de sua família uma verdadeira “Igreja Doméstica”.

No próximo dia 08 de dezembro o Papa Francisco vai abrir, em Roma, a Porta Santa dando início ao Ano Santo Jubilar da Misericórdia. Em nossa Diocese, como acontecerá em todo o mundo, a Porta Santa será aberta no dia 13 de dezembro. É um tempo para fazer novas todas as coisas, não vamos deixar passar este tempo de graça, este verdadeiro Kairós sem nos esforçarmos por viver de forma mais coerente a nossa fé. É o Senhor Jesus que bate à porta do coração de cada um de nós e diz: “Eis que estou à porta e bato. Se você abrir, eu entrarei e farei em você minha morada”.

Em nossa Diocese de São Miguel Paulista somos mais de quatro mil ministros e ministras. Se cada um de nós no seio de sua família, em seu ambiente de trabalho, nos seus relacionamentos na sociedade, no seio de nossas comunidades, anunciar com a vida a obra redentora de Jesus Cristo, haverá entre nós uma grande iluminação para tantos irmãos e irmãs que ainda vivem nas trevas do erro e da ignorância e desconhecem que “Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai”. Jesus morreu para que todos se salvem. Não deixemos que seu precioso sangue seja derramado em vão. Nenhum pecado é maior que a misericórdia divina. Só basta arrepender-se, confessar, receber Jesus e mudar de vida.

Sejamos missionários e missionárias da divina Misericórdia praticando as obras de Misericórdia Corporais e Espirituais, como nos pede o Papa Francisco e recorramos à Maria Santíssima, invocada sob o título de Nossa Senhora da Penha, com a oração antiga e sempre nova da Salve Rainha, pedindo que nunca deixe de voltar para nós seus olhos misericordiosos e nos faça dignos de um dia contemplarmos o rosto da Misericórdia, seu Filho Jesus Cristo.

São Miguel Arcanjo nos proteja hoje e sempre e não nos deixe desanimar em nossa missão de discípulos missionários da Misericórdia Divina.

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Dom Manuel Parrado Carral