Quaresma: experiência do seguimento de Jesus

No próximo dia 10 de fevereiro, quarta-feira de cinzas, a Igreja inicia o tempo litúrgico da quaresma, quarenta dias dedicados à preparação para a Páscoa de Cristo, certeza e garantia de nossa páscoa, que atinge o seu ápice com o solene Tríduo Pascal: Paixão-Morte, Sepultura e Ressurreição do Senhor Jesus, celebrado de Quinta-feira à noite até o Domingo da Ressurreição.

Nesta caminhada quaresmal, no primeiro domingo, somos convidados a seguir Jesus para fazer a experiência do deserto, lugar desprovido de vida, onde defrontamos com as tentações de não reconhecer a vida como Dom de Deus, depositando nossa garantia no poder e na glória humana, colocando Deus de escanteio e ocupando o seu lugar. Jesus nos ensina que a oração, que nos coloca como filhos e filhas em relação a Deus, o jejum, fazendo uso dos bens terrenos com discernimento e a partilha dos bens são as armas para vencer todas as tentações.

O segundo domingo nos conduz à montanha, nos leva a fazer a experiência do Tabor: a Transfiguração do Senhor. A experiência de proximidade de Deus na oração nos dá força e coragem para caminhar no dia a dia carregando a cruz com “a alegria do evangelho”. São momentos de experiência de Tabor os encontros da Comunidade aos domingos, onde o Senhor se faz presente na Palavra e na Eucaristia; são as experiências do amor humano na vida familiar, a felicidade de partilhar vivendo a fraternidade com todos, estando sempre numa atitude de saída ao encontro do outro sem deixar o coração se prender em interesses egoístas.

O terceiro, quarto e quinto domingos do Ano C, Lucas e João, nos apresentam o tema da necessidade da penitência e da misericórdia de Deus para com a humanidade em Jesus Cristo: Deus concede o tempo necessário para produzirmos os frutos de boas obras é preciso aproveitá-lo como tempo favorável, vivendo o processo de conversão.

O Ano Santo Jubilar da Misericórdia é este tempo propício, é o apelo de Deus para que todos nós saiamos de nossa letargia, de nossa acomodação e tenhamos a coragem de assumir “todas as conseqüências do encontro com Jesus. Viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã, mas parte essencial duma existência virtuosa”, afirma o Papa Francisco (LS 217)

A Campanha da Fraternidade com o tema: “Casa Comum, nossa responsabilidade” exige uma mudança profunda na forma como nos relacionamos com os recursos naturais. Nós temos a responsabilidade, enquanto cidadãos e cidadãs, de cuidarmos do espaço onde moramos, de não jogar lixo na rua, de zelar pelos bens e espaços coletivos, mas, também de cobrar do poder público a realização de obras de infra-estruturas necessárias. Que a Virgem Maria seja nossa companheira e guia nesta experiência do seguimento de Jesus.

D. Manuel Parrado Carral