Os cristãos leigos e leigas e sua missão no mundo

No documento “Cristãos leigos e leigas na Igreja e na Sociedade - Sal da terra e luz do mundo”,  aprovado pelos bispos na 54ª Assembleia da CNBB, se reafirma que o primeiro campo e âmbito da missão do cristão leigo e leiga é o mundo. A realidade temporal é o campo próprio da ação evangelizadora e transformadora que compete aos leigos. Jesus já o afirmava: “vocês são o sal da terra... vocês são a luz do mundo” (Mt 5,14-15). Os cristãos devem estar conscientes de que não podem se omitir nesta missão de testemunhar Jesus Cristo ao mundo.

É dever dos Bispos, em nome de Jesus, animar, orientar e indicar o caminho aos seus fiéis. No cumprimento deste dever os bispos, reunidos em Aparecida na assembléia da CNBB, aprovaram uma mensagem dirigida ao povo brasileiro onde enfocam o momento atual, destacam o papel dos leigos como sujeitos na política. Destaco aqui alguns pontos: 

“Neste ano de eleições municipais, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB dirige ao povo brasileiro uma mensagem de esperança, ânimo e coragem. Os cristãos católicos, de maneira especial, são chamados a dar a razão de sua esperança (cf. 1Pd 3,15) nesse tempo de profunda crise pela qual passa o Brasil.”

“Sonhamos e nos comprometemos com um país próspero, democrático, sem corrupção, socialmente igualitário, economicamente justo, ecologicamente sustentável, sem violência discriminação e mentiras; e com oportunidades iguais para todos. Só com participação cidadã de todos os brasileiros e brasileiras é possível a realização desse sonho. Esta participação democrática começa no município onde cada pessoa mora e constrói sua rede de relações. Se quisermos transformar o Brasil, comecemos por transformar os municípios. As eleições são um dos caminhos para atingirmos essa meta.

”“É fundamental considerar o passado do candidato, sua conduta moral e ética e, se já exerce algum cargo político, conhecer sua atuação na apresentação e votação de matérias e leis a favor do bem comum. A Lei da Ficha Limpa há de ser, neste caso, o instrumento iluminador do eleitor para barrar candidatos de ficha suja.

”“É preciso estar atento aos custos das campanhas. O gasto exorbitante, além de afrontar os mais pobres, contradiz o compromisso com a sobriedade e a simplicidade que deveria ser assumido por candidatos e partidos. Cabe aos eleitores observar as fontes de arrecadação dos candidatos, bem como sua prestação de contas. A compra e venda de votos e o uso da máquina administrativa nas campanhas constituem crime eleitoral que atenta contra a honra do eleitor e contra a cidadania. Exortamos os eleitores a fiscalizarem os candidatos e, constatando esse ato de corrupção, a denunciarem os envolvidos ao Ministério Público e à- Justiça Eleitoral, conforme prevê a Lei 9840, uma conquista da mobilização popular há quase duas décadas.”

“A Igreja Católica não assume nenhuma candidatura, mas incentiva os cristãos leigos e leigas, que têm vocação para a militância políticopartidária, a se lançarem candidatos. Após as eleições, é importante a comunidade se organizar para acompanhar os mandatos dos eleitos.

“Confiamos que nossas comunidades saberão se organizar para tornar as eleições municipais ocasião de fortalecimento da democracia que deve ser cada vez mais participativa. Nosso horizonte seja sempre a construção do bem comum.”

"Que Nossa Senhora Aparecida, Mãe e Padroeira dos brasileiros, nos acompanhe e auxilie no exercício de nossa cidadania a favor do Brasil e de nossos municípios, onde começa a democracia”.

Recomendo aos cristãos de nossa Diocese, aos membros das pastorais e movimentos  a lerem e divulgarem a “Mensagem da CNBB para as eleições de 2016” – o texto na íntegra está no site da Diocese: www.diocesesaomiguel.org.br

D. Manuel Parrado Carral