O evangelista Mateus nos apresenta Jesus percorrendo povoados e cidades anunciando a Boa Nova do Reino e vendo as multidões “compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!”

Durante os trabalhos do Concílio Ecumênico Vaticano II, a Igreja se debruçou sobre a realidade do mundo e, como Jesus, sentiu compaixão do povo e surgiu um novo impulso na reflexão sobre as vocações. Neste contexto foi instituído como Dia mundial de oração pelas vocações sacerdotais e religiosas, o domingo do Bom Pastor,quarto domingo da Páscoa.

Foi assim que em 11 de abril de 1964 o Papa Paulo VI enviou a todo mundo católico a primeira mensagem para este dia, afirmando ser ele dedicado de forma particular às vocações presbiterais e à vida consagrada. Entretanto, a vocação cristã, fundamentada no Batismo, fonte de todas as vocações, nunca foi deixada de lado, basta um olhar sobre as várias mensagens dos papas nestes 53 anos para percebermos a abrangência vocacional dos temas abordados.

A mensagem do Papa Francisco para o 53º Dia Mundial de Oração pelas Vocações tem como tema A Igreja, mãe de vocações.na qual ele afirma: “Como gostaria que todos os batizados pudessem, no decurso do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, experimentar a alegria de pertencer à Igreja! E pudessem redescobrir que a vocação cristã, bem como as vocações particulares, nascem no meio do povo de Deus e são dons da misericórdia divina! A Igreja é a casa da misericórdia e também a “terra” onde a vocação germina, cresce e dá fruto”.

No decorrer de sua mensagem o Papa Francisco escreve: A vocação “acontece através da mediação comunitária. Deus chama-nos a fazer parte da Igreja e, depois dum certo amadurecimento nela, dá-nos uma vocação específica”. A seguir desenvolve três características do chamado de Deus:

A vocação nasce na Igreja. “Ninguém é chamado exclusivamente para uma determinada região, nem para um grupo ou movimento eclesial, mas para a Igreja e para o mundo. Um sinal claro da autenticidade duma vocação é a sua eclesialidade, a sua capacidade de se integrar harmonicamente na vida do povo santo de Deus para o bem de todos” (EG 130). A comunidade torna-se a casa e a família onde nasce a vocação e o candidato aprende a conhecer e a amar os irmãos que percorrem caminhos diferentes do seu. Estes vínculos reforçam a comunhão em todos.

A vocação cresce na Igreja. Durante o processo de discernimento, os candidatos às diversas vocações precisam conhecer cada vez melhor a comunidade eclesial. Com esta finalidade é recomendável fazer uma experiência pastoral com outros membros da comunidade em uma paróquia ou na diocese. Para aqueles que já estão em formação, a comunidade eclesial permanece sempre o espaço educativo fundamental, pelo qual se sente gratidão.

A vocação é sustentada pela Igreja. Depois do compromisso definitivo, o caminho vocacional na Igreja não termina, mas continua na disponibilidade para o serviço, na perseverança e na formação permanente. Quem consagrou a própria vida ao Senhor, está pronto a servir a Igreja onde esta tiver necessidade na certeza de que são acompanhados e sustentados pela comunidade cristã, que permanece uma referência vital. O Papa Francisco encerra sua mensagem com a seguinte oração:

“Pai de misericórdia, que destes o vosso Filho pela nossa salvação e sempre nos sustentais com os dons do vosso Espírito, concedei-nos comunidades cristãs vivas, fervorosas e felizes, que sejam fontes de vida fraterna e suscitem nos jovens o desejo de se consagrarem a Vós e à evangelização. Sustentai-as no seu compromisso de propor uma adequada catequese vocacional e caminhos de especial consagração. Daí sabedoria para o necessário discernimento vocacional, de modo que, em tudo, resplandeça a grandeza do vosso amor misericordioso. Maria, Mãe e educadora de Jesus, interceda pela comunidade cristã, para que, tornada fecunda pelo Espírito Santo, seja fonte de vocações autênticas para o serviço do povo santo de Deus. Amém".

Recomendo às comunidades, aos movimentos e às pastorais que em suas reuniões e encontros durante o corrente mês de agosto rezem esta oração.


Dom Manuel Parrado Carral