No primeiro relato sobre a visita “ad limina”, afirmamos que “O encontro pessoal com o Papa reforça os laços de efetiva comunhão e dá a oportunidade de lhe apresentar a realidade da Igreja Particular, no relatório que foi preparado para esse fim. O encontro representa um momento central para o Papa, sucessor de Pedro, que recebe os pastores das Igrejas particulares a fim de discutir com eles os problemas referentes à missão eclesial”.

Fui recebido pelo Papa Bento XVI, em audiência particular, no dia 6 de novembro. Convidei Dom Fernando para estar junto na visita. A pessoa do Papa impressiona pelo carinho de sua acolhida. Ele é muito amável e nos coloca muito à vontade, fazendo-nos sentir ser recebidos com ternura e alegria. Nesse ambiente é que transcorreu a audiência particular. Depois de apontar no mapa a localização da Diocese de São Miguel Paulista, de cuja fase de criação da mesma ele se recordou, fiz uma rápida exposição sobre a realidade social da nossa região, extremo leste da cidade de São Paulo, e sobre o trabalho pastoral que procuramos executar. Ele me fez algumas perguntas e apresentou as suas preocupações.

A primeira preocupação do Papa foi com relação às prioridades pastorais, quando tive a oportunidade de lhe apresentar o resultado da nossa assembleia diocesana, na qual foi aprovado o 5º Plano de Pastoral que escolheu a família, a missão e a formação como prioridades. A seguir, quis saber sobre a realidade da família. Apresentei-lhe as dificuldades pelas quais passam as famílias, tanto social, cultural e econômica que influenciam a vida comunitária, afetam o campo religioso e apresentam fatos morais que devem ser enfrentados com novos meios e métodos de evangelização.

Lembrando o encontro que ele teve com os jovens, no Estádio do Pacaembu, por ocasião de sua visita a São Paulo em 2007, o Papa quis saber da realidade dos jovens na Diocese. Dentre as dificuldades pelas quais passam os jovens, assinalei a desestruturação familiar, a falta de empregos, a precariedade da educação para a vida e para o trabalho, além da facilidade de envolvimento com o mundo das drogas. Lembrei que, no entanto, há um grande e bom número de jovens participando e atuando em nossas comunidades de forma sadia. São jovens evangelizando jovens e os ambientes que frequentam.

O Papa manifestou grande interesse em saber como se dá a formação dos futuros padres. Relatei que temos um bom número de vocações provindas das nossas comunidades e possuímos uma boa estrutura física para acolher os nossos seminaristas, com o envolvimento de uma equipe de padres disponíveis para ajudar na formação.

A seriedade na formação dos leigos, a catequese, sobretudo, dos adultos, a atuação dos ministros leigos, a questão missionária, o desafio da proliferação de novos seguimentos religiosos, enfim, o Papa falou sobre esses assuntos e mostrou sua preocupação para que a Igreja, no dinamismo do Espírito Santo, cumpra sua missão com alegria e responsabilidade em espírito de fraternal comunhão.

A visita “ad limina” nos dá a oportunidade de colocar a nossa Igreja Particular na plena comunhão com toda a Igreja que, na pessoa do legítimo sucessor de Pedro, busca cumprir sua missão evangelizadora. Alegro-me que a minha pessoa possa ter levado à presença do Papa a nossa Diocese de São Miguel Paulista.

Dom Manuel Parrado Carral