Aparecida2 2010Deus, por sua bondade, misericórdia, compaixão e sabedoria, quer redimir a humanidade e levar todos à salvação. “Ao chegar a plenitude dos tempos, enviou Seu Filho, nascido de mulher,... a fim de recebermos a filiação adotiva”.  (Gl. 4, 4-5). “Por amor de nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus e se encarnou na Virgem Maria, por obra e graça do Espírito Santo”.  Com estas citações o Documento Conciliar “Lumen Gentium” inicia a explanação sobre o papel de Maria Santíssima na vida da Igreja. Reconhecida, honrada e venerada como Mãe de Deus Filho, Maria ocupa, no mistério da Salvação, um lugar de destaque por vários motivos.

Em primeiro lugar, desde a anunciação, Maria foi enaltecida com a escolha do Pai e a ação do Espírito Santo quando convidada para ser a Mãe do Salvador. A predileção de Deus por sua pessoa nos leva a perceber que entre todas as criaturas, Maria ocupa um lugar especial no coração da Trindade Santa que a enche de graça e santidade para poder assumir essa sublime missão.  Ao dizer seu “sim”, ela aceita cooperar na obra de Salvação dando um exemplo profundo de fé que deve estar presente na ação da Igreja que confia na presença de Deus agindo dentro da história humana.

Em segundo lugar, o Concílio Ecumênico Vaticano II, ao refletir sobre a doutrina que define a Igreja onde o Redentor realiza a Salvação, procura esclarecer o papel de Maria Santíssima relacionando-o com a caminhada dos fiéis no mistério do Corpo Místico de Cristo. Embora possam existir opiniões e conceitos diversos sobre esse relacionamento, há um consenso de fé onde a presença de Maria foi amplamente significativa para o povo de Deus a caminho. À luz da revelação, a figura dessa mulher singular está evidenciada nos escritos sagrados já desde o Antigo Testamento na vitória sobre o pecado, tendo um filho que será Deus-conosco.

A Tradição cristã medita a obra da Salvação atuando na natureza humana com a presença intercessora da Mãe de Jesus, agraciada com dons dignos de uma tão grande missão. Os santos Padres chamam à Mãe de Deus de “toda santa” e “imune de toda a mancha de pecado”, pois, o próprio Espírito Santo a modelou e fez dela uma nova criatura capaz de livremente aceitar a participação nos desígnios do Senhor. Todos os acontecimentos de sua vida foram guardados em seu coração e Maria os meditava.

Em terceiro lugar, nos colocamos diante da dor de Maria vendo o seu Filho único condenado e levado à morte na cruz quando seu coração de mãe se associa ao sacrifício de Cristo, “consentindo com amor na imolação da vítima que dela nascera”. Desta oblação nasce a coragem, a força e a disposição da perseverança que contagia os Apóstolos e discípulos à espera do cumprimento da promessa de Cristo de enviar o Espírito Santo.

Para concluir essa primeira abordagem  sobre a presença de Maria Santíssima no mistério da Igreja, podemos citar o Documento “Lúmen Gentium” que afirma: “O nosso mediador é só um, segundo a palavra do Apóstolo ‘não há senão um Deus e um mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, que Se entregou a Si mesmo para redenção de todos’ (1 Tim. 2, 5-6). Mas a função maternal de Maria em relação aos homens de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; manifesta antes a sua eficácia. Com efeito, todo o influxo salvador da Virgem Santíssima sobre os homens se deve ao beneplácito divino e não a qualquer necessidade; deriva da abundância dos méritos de Cristo, funda-se na Sua mediação e dela depende inteiramente, haurindo aí toda a sua eficácia; de modo nenhum impede a união imediata dos fiéis com Cristo, antes a favorece”.


Dom Manuel Parrado Carral