05 dmanuelO legado da primeira visita do Papa Francisco ao Brasil

Antes do Conclave, na Congregação Geral dos Cardeais, o então cardeal Jorge Mario Bergoglio, hoje Papa Francisco expôs,com muita lucidez e muita simplicidade, o que se devia esperar do novo papa.

A Igreja deve se entregar à tarefa da evangelização, saindo de si própria e indo às periferias geográficas e existenciais. Sem isso a Igreja se torna autorreferencial e adoece deixando de ser mistério ligado às coisas do céu. Deixa de ouvir a Palavra e de proclamá-la com confiança. Referindo-se ao futuro papa, o Cardeal Bergoglio disse que ele precisaria ajudar a Igreja a ser a mãe fecunda que vive da doce e reconfortante alegria da evangelização.

Nesses poucos meses de pontificado do Papa Francisco vemos por sua atuação essa alegria evangélica. Sinais simples, humildes, mas, claros e cativantes. Para exemplificar, a nós devotos de Nossa Senhora causou emoção ao ver o Papa se aproximar da pequena imagem em Aparecida como o faz um peregrino comum que expressa sua confiança e gratidão com os olhos nos olhos da Imaculada Conceição e com a reverência de quem se encontra dentro do mistério da fé.

A verdadeira humildade requer que se seja intelectualmente honesto e espiritualmente esclarecido. Ter opinião e, com a caridade fraterna e a firmeza da convicção, ter a coragem de expressá-la principalmente levando em conta o bem de todos. Não se pode ficar insensível ao avanço da decepção de grande parte da humanidade com as instituições que muito pouco ou quase nada fazem pelo bem das populações mais carentes e que atualmente deixam muito a desejar em relação a todos. A Igreja não está e nem quer estar na humanidade como instituição. Quer ser farol que ilumina a caminhada e por isso tem que ter coragem de abordar todos os problemas, acolher todas as angústias e estar presente em todos os avanços, criticando todos os recuos e dando respostas que levem os homens e mulheres de boa vontade a sentir firmeza na sua postura diante da vida.

O grande presente que o Papa nos deixou, em sua passagem pelo Brasil, é a volta da alegria pela esperança de nos renovarmos na fé e, unidos, buscarmos com sinceridade de coração servir à humanidade carente da presença dos valores do Evangelho. Evangelizar com esperança e alegria é a nossa missão de cristãos que querem dar ao mundo o testemunho vivo da fé que professam.

Muito ainda pode ser dito sobre a JMJ - Rio 2013 e os benefícios que trará à ação dos jovens na Igreja. Ao abordar e destacar a esperança alegre que o Papa Francisco veio nos trazer, espero animar não só os jovens como a todos os que, com honestidade de coração e simplicidade de vida, se encantam em ser discípulos e missionários de Jesus Cristo.

Dom Manuel Parrado Carral